Vazamentos de dados no Brasil: por que ninguém está pagando a conta?

Vazamentos de dados no Brasil se tornaram um problema crônico, mas a verdadeira questão é: quem está pagando por isso? Certamente não são as empresas responsáveis. Enquanto gigantes do varejo, bancos e serviços online expõem milhões de brasileiros a riscos diários, as punições são praticamente inexistentes. A LGPD prevê multas de até R$ 50 milhões, mas quantas empresas realmente sentiram esse impacto? O que vemos são notificações tímidas e punições simbólicas que não assustam ninguém. Enquanto isso, os cidadãos têm seus dados vendidos na deep web sem qualquer consequência real para os responsáveis.

Na Europa, a GDPR já aplicou bilhões de euros em multas, forçando empresas a levarem a cibersegurança a sério. No Brasil, as grandes corporações continuam tratando esse problema como um custo secundário. Afinal, por que gastar milhões em segurança digital se a punição pelo descaso é praticamente nula? O governo e os órgãos reguladores precisam mudar essa lógica urgentemente. Sem fiscalização rígida e multas exemplares, vazamentos continuarão sendo apenas mais uma “notícia da semana” até o próximo escândalo.

Os criminosos cibernéticos lucram com essa fragilidade, e as empresas que deveriam proteger seus clientes simplesmente jogam a responsabilidade para o usuário. Senhas vazadas? “Mude sua senha.” Dados pessoais expostos? “Fique atento a golpes.” Mas e a responsabilidade de quem deveria proteger essa informação? Ninguém responde. Enquanto isso, as vítimas são expostas a fraudes, golpes bancários e extorsões, sem qualquer suporte real.

Se o Brasil quer ser levado a sério em cibersegurança, precisa endurecer as regras e criar um ambiente de tolerância zero para vazamentos. Empresas devem ser obrigadas a adotar medidas rigorosas e, caso falhem, as multas devem ser suficientes para doer no caixa. Caso contrário, seguiremos vivendo um faroeste digital onde apenas os criminosos e os descuidados saem ganhando. É hora de cobrar, fiscalizar e penalizar. O Brasil precisa reagir.

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